A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA - VI

Todavia, mesmo tendo solicitado exoneração, Archimedes permaneceu no cargo, inclusive depois que Getúlio Vargas assumiu o poder no Rio de Janeiro, alterando sobremodo o quadro da vida política baiana. Atendia a um pedido de um outro amigo seu: Leopoldo Amaral. Além disso, naquele momento, ele tomou, na política da Bahia, posição divergente daquele assumida pelo seu amigo Anísio Teixeira:

 

 

dentro das circunstâncias, é uma felicidade ter ficado V. na coluna revolucionária para pôr, nos desejos de reforma, ou melhor no frenesi de reformas do governo, a dose de ordem, de justiça e de bom senso, que a sua inteligência e a sua consciência nos asseguram. Confio em V. para salvar o que for possível da parte técnica e da parte de justiça pessoal. E aí, na Diretoria, onde todos os meus antigos companheiros e amigos, nossos, vão talvez ser sacrificados! Compreendo, meu caro Archimedes, como lhe continua a ser de sacrifício o posto em que a Bahia lhe veio pedir os seus serviços. Agora urge não voltar atrás. Em mim, V. terá sempre quem lhe reconhece a dedicação e o espírito de serviço com que está V. se empenhando nessa obra de administração, tão espinhosa, do ensino em nosso Estado[1].

 

 

Essa decisão valeu a Archimedes uma série de recriminações ao seu comportamento que, recorrentemente, eram publicadas por jornais ligados a grupos que desejavam vê-lo fora do poder: “Desleal e poltrão vive agora a todo instante a recriminar o Dr. Prisco Paraíso, atribuindo-lhe todos os desmandos da instrução, quando com eles concordava muçulmanamente, ao tempo em que aquele digno cidadão era secretário”[2]. No ano de 1931, seria substituído no cargo de diretor geral da Instrução Pública e nomeado para a direção da Escola Agrícola da Bahia.



[1] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 4 de janeiro de 1931. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[2] Cf. Carta de Archimedes Pereira Guimarães ao Dr. Prisco Paraíso, em 27 de janeiro de 1931. Arquivo do Instituto Geográfico e Histórico do Bahia. Dossiê Archimedes Guimarães. Caixa 15. Documento 26.

 
 

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA - V

Na capital, Archimedes Guimarães procurou extinguir todas as escolas que funcionavam em residências de professores, alugando edifícios nas áreas centrais de cada bairro, adaptando prédios para o funcionamento de escolas públicas.

      Além disso, ele investiu na aquisição de livros, mapas e obras didáticas e estimulou a publicação da revista escolar baiana, nos mesmos moldes da publicada em São Paulo.

      Nos três períodos durante os quais dirigiu a Instrução Pública baiana, Archimedes Guimarães viveu muitas dificuldades. A primeira crise ele enfrentaria ainda ao final do primeiro semestre do ano de 1927, quando se começava a discutir o orçamento baiano para o ano de 1928 e ele não conseguiu ampliar os recursos dos quais iria dispor no ano seguinte. Não lhe faltou, porém, o apoio do amigo Anísio Teixeira, que mesmo vivendo na América do Norte continuava a ser influente na política da Bahia:

           

 

A sua última carta de 12 de julho diz-me coisas graves sobre o orçamento e sobre o futuro ano de serviço escolar na Bahia. O movimento pela instrução na Bahia apenas começou. Se a sua marcha não for progressiva e se sobretudo as generosidades orçamentárias não forem progressivas, que se poderá fazer? O que será de 1928, se apenas tivermos os recursos de 27? O nosso problema é essencialmente dinheiro, dinheiro[1].

 

 

Para assinalar a gravidade do problema, Anísio Teixeira estabelecia algumas comparações, em face da realidade brasileira:

 

 

Agora mesmo, tenho aqui sobre a minha mesa, o último relatório do diretor da instrução das Ilhas Filipinas. As despesas para educação em 1927 foram de 25 milhões de pesos, exclusive a Universidade. A Columbia University aqui despende 10 milhões de dólares para sua manutenção, pouco mais da renda do Estado da Bahia. Não sei se já lhe escrevi que o programa de construção e reparos de prédios escolares para a cidade de Nova York é de 53 milhões para o ano de 1929. A Bahia está assombrada porque, município e Estado juntos despendem um milhão de dólares. Mas, que se há de fazer? Somos perdidamente pobres. Isso, porém, se limita o nosso programa, não nos obriga a manter um sistema escolar para “fazer de conta”, como crianças[2].

 

 

A questão do financiamento das reformas que implementava juntamente com Anísio Teixeira, foi o problema que mais incomodou a Archimedes Guimarães durante todo o período no qual ele esteve à frente da política educacional baiana, recebendo sempre o estímulo do seu compadre Anísio:

 

 

Vejo que os "propósitos de economia" vão no caminho de suspender toda a utilidade do serviço, contanto que se poupem alguns mil réis. Para que termos Diretoria de Instrução, se a menor consideração de eficiência de serviço não vale para um desses gastos? (...) Enfim Deus o ajude a suportar essas altas decisões governamentais e a fazer com que eles prejudiquem o menos possível a nossa deficitária instrução[3].

 

 

Era, portanto, sempre ao amigo Anísio Teixeira que Archimedes Guimarães costumava apresentar as agruras do cargo:

 

 

Chegou-me ontem a sua carta de 30, onde me dá notícias da Diretoria. Imagino as dificuldades com que V. está a lutar. Quando reflito que o New York Times tem 3.000 empregados, apesar de toda a diferença de nossa atividade com a do formidável jornal, compreendo pelo menos um dos motivos da eficiência americana. Junte-se a isto o nosso espírito pessoal de competência em vez de cooperação e está explicado porque, além de deficiente o trabalho em nosso meio, é tão pródigo em nos dar "desgostos". Muito de coração faço votos pelo seu sucesso aí na Diretoria, sucesso que espero, porque V., como sempre lhe disse, leva para o cargo várias qualidades que eu não possuo. (...) Diante dessas dificuldades, eu imagino como seria possível levar avante a idéia do Departamento que aumenta as despesas de algumas dezenas de contos[4].

 

 

Archimedes Pereira Guimarães passou a enfrentar muitas dificuldades para continuar exercendo o cargo, no segundo semestre de 1930. As turbulências políticas tumultuavam a vida administrativa de todos os Estados brasileiros. O seu amigo, Prisco Paraíso, Secretário do Interior, Justiça e Instrução Pública, estava se afastando do poder Naquele período, acentuou-se a escassez de recursos que o Estado da Bahia destinava ao seu trabalho. Faltaram-lhe meios financeiros para a continuidade de programas fundamentais ao seu projeto pedagógico, como as aulas de Música, Desenho, Trabalhos Manuais e Educação Física. Archimedes pediu exoneração do cargo, no dia 27 de outubro daquele ano[5].

 

 



[1] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em agosto de 1927. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[2] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 7 de março de 1929. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[3] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 7 de novembro de 1928. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[4] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 25 de outubro de 1928. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[5] Cf. Carta de Archimedes Pereira Guimarães, Diretor Geral da Instrução Pública do Estado da Bahia, ao Dr. Ponciano de Oliveira, Secretário Geral do Estado da Bahia, em 27 de outubro de 1930. Arquivo do Instituto Geográfico e Histórico do Bahia. Dossiê Archimedes Guimarães. Caixa 15. Documento 19.

 
 

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA - IV

No ensino normal a reforma mandou criar duas escolas primárias de aplicação, anexas à Escola Normal de Salvador, bem como tornou obrigatório que os candidatos ao titulo de professor passassem antes pelo curso fundamental. Todo o programa do ensino normal foi inteiramente reformulado, de acordo com a nova lei, que autorizou ainda o governo a criar duas escolas normais no sertão, tendo sido instaladas uma em Caitité e outra em Feira de Santana. Os professores formados por essas escolas normais passaram a atuar no interior, em escolas rurais, que anteriormente eram regidas por professores leigos.

No exercício do cargo de diretor da Instrução Pública do Estado da Bahia, Archimedes deu continuidade à reforma do ensino implementada por Anísio. Contudo, redirecionou o ensino público baiano, de modo a intensificar a ação do Estado nos municípios do interior. Optou preferencialmente pela valorização dos inspetores do ensino. Porém, sobre estes, estabeleceu rigorosos instrumentos de controle. Em 17 de abril de 1930 o Diário Oficial baiano circulou com a publicação das suas instruções para orientar o trabalho dos inspetores. As instruções expressam com clareza a filosofia do trabalho de Archimedes como diretor da Instrução Pública.

            Ele definiu como primeiro ponto a ser observado pelos inspetores a tarefa de cumprimento da obrigatoriedade escolar. Para tanto, transformou em responsabilidade da inspeção solicitar e distribuir o material necessário ao funcionamento das escolas, a abertura de inquéritos administrativos, a instauração de processos disciplinares e a aplicação de penas. Era grande o poder que delegava a esses agentes do Estado, representantes do diretor geral, ao qual deveriam apresentar mensalmente um relatório no qual prestassem conta do desempenho escolar e do cumprimento das suas responsabilidades administrativas. Cada inspetor tinha ao seu encargo um conjunto de municípios que percorreriam, fiscalizando o trabalho de recenseamento escolar dos estabelecimentos de ensino público e privado. Nesse trabalho, os inspetores deveriam ouvir as demandas dos pais de família, além de cuidar da higiene, moralidade, assiduidade e outras práticas próprias ao exercício do trabalho docente, como a freqüência do professor e dos alunos e a remessa pelos docentes à Diretoria da Instrução Pública dos dados estatísticos.

            Na verdade, preocupava Archimedes Guimarães a sua crença nos fundamentos da Pedagogia de John Dewey, que tanto entusiasmava o seu amigo e antecessor, Anísio Teixeira. Segundo Archimedes, a fiscalização pedagógica deveria tender mais a auxiliar do que a reprimir, valorizando os métodos de ensino, os programas, os horários, os livros e a higiene escolar. Por isto, estabeleceu um plano de trabalho que era cumprido pelos inspetores de ensino quando em visita às escolas: no primeiro dia, estes observavam o funcionamento da escola, verificando a orientação do professor. Após a aula, o inspetor deveria se reunir com o docente para discutir com este aquilo que considerou equivocado. No segundo dia, o inspetor deveria assumir diretamente a regência da sala de aula, para demonstrar ao professor como agir corretamente, de acordo com os princípios da Escola Nova. Cada inspetor deveria dar aulas demonstrativas sobre as diferentes disciplinas do curso primário, procurando orientar o professor no sentido de abandonar velhos métodos ou a rotina na aprendizagem da leitura e da escrita.

No relatório que encaminhava à Diretoria da Instrução Pública, o inspetor tinha a obrigação de informar não apenas a respeito da competência técnica e administrativa do professor, mas também sobre a capacitação moral de cada um deles. Também competia ao inspetor articular com os professores a organização de solenidades comemorativas das datas cívicas nacionais.

            Uma outra importante missão dos inspetores de ensino era a de discutir com a Diretoria da Instrução Pública a necessidade de criação, localização, transferência, desmembramento e supressão de escolas, sugerindo mudanças de horários e de organização das turmas, além de informar sobre a competência e dedicação dos professores e diretores dos estabelecimentos de ensino. Cada inspetor deveria organizar um mapa minucioso da sua zona de atuação, estabelecendo a localização de cada uma das escolas, as distâncias em quilômetros entre elas e as cidades mais importantes, os meios de locomoção disponíveis e os custos necessários ao transporte do inspetor. Archimedes Guimarães pretendia que cada inspetor agrupasse as escolas existentes em cada cidade, vila ou arraial, num raio de dois quilômetros, em prédio confortável, de modo a serem satisfeitas as exigências higiênicas e as necessidades do ensino. Para objetivação de tal medida, o inspetor deveria fazer uma proposta acompanhada da descrição minuciosa do prédio, suas condições higiênicas e modificações necessárias; as condições contratuais de aluguel ou venda, apresentadas pelos proprietários; e uma planta do prédio e da área do terreno.

Uma outra responsabilidade que Archimedes Guimarães atribuiu aos inspetores foi a de orientar a organização dos arquivos escolares, verificando a guarda dos ofícios, circulares, guias de transferências, atestados de alunos e os livros de escrituração escolar. Era também responsabilidade dos inspetores a fundação de caixas escolares.

As responsabilidades atribuídas aos inspetores eram consideradas tão importantes que, muitas vezes, o próprio Archimedes Guimarães saía do seu gabinete, em Salvador, e se deslocava por vários municípios do interior do Estado da Bahia, cumprindo as mesmas atividades. Verificava a ausência de professores das suas respectivas cadeiras e outras irregularidades.

 
 

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA - III

Suas relações políticas e a afinidade com as idéias pedagógicas de Anísio Teixeira fizeram com que, muitas vezes, Archimedes recebesse duras críticas por parte dos jornais que faziam oposição ao grupo político liderado por Góes Calmon, do qual participavam Anísio e Archimedes. Tal oposição criticava duramente e, em algumas ocasiões, de modo grosseiro iniciativas como o Congresso de Higiene que aconteceu em Salvador e os cursos de férias que tanto Anísio Teixeira como Archimedes Guimarães (no período em que exerceu o cargo de diretor geral da Instrução Pública) promoviam periodicamente. Porém, esse tipo de iniciativa era um ponto muito importante na política que ambos adotavam e à qual procuravam dar a maior repercussão, divulgando-a inclusive no exterior[1]. A Anísio, esses opositores costumavam tratar como “rebento mais apurado da nossa mentalidade jesuítica”[2]. Mesmo num momento no qual Anísio estava revendo as suas posições teóricas e assumindo publicamente os fundamentos da Filosofia Pragmatista norte-americana:

 

 

A notícia da minha "ordenação" apenas mostra que a Bahia custa de esquecer a legenda que uma vez lhe ensinaram. Creio que hei de ser sempre, na Bahia, uma vocação que falhou. Isso seria simplesmente cômico, si não houvesse a pequenina tragédia ou coisa que o valha, no fato de realmente mais do que essa pretensa vocação eu estou a reconstituir toda a minha filosofia, dirigindo-a para caminhos que me afastarão muito provavelmente até do próprio catolicismo. O trabalho que vem passando a minha inteligência, desde a minha primeira viagem à América e o seu pragmatismo, ainda não está terminado. E sinceramente não sei até onde me levará, no sentido do abandono de algumas e aquisição de outras concepções sobre a vida. Quem sabe se não encontrarei motivos para uma reorganização mental, conservando as verdades que me pareciam abolutas? Estou com a minha filosofia em pleno período reconstrutivo[3].

 

 

Archimedes era considerado “qualquer coisa sem importância lá da Diretoria da Instrução Pública”[4]. A crítica dirigida a Archimedes Guimarães tinha como principal característica o excesso de deselegância:

 

 

fazendo uma arenga enorme, campanuda e árida, à guisa de catecismo cívico, para um auditório de mulheres, na sua quase totalidade, a certa altura, depois de insistir muito em que devemos imitar e copiar mesmo os métodos e sistemas dos norte-americanos, entrou a fazer uma critica severa e causticante à imprensa oposicionista que ataca o governo. Mais adiante, o mesmo Sr. Archimedes, que a julgar pelo zelo com que defendeu o governo é, certamente, um dos apanigüados da situação, insinuou que é um perigo a leitura de jornais que ataquem os governos, pelas crianças que, assim, crescerão com o sentimento de ódio pelos governantes. Que o Sr. Archimedes não critique o governo porque está amilhado aos cofres públicos, está no seu direito. Mas daí querer malsinar a oposição porque impugna as imoralidades do governo do seu patrão Góes Calmon, isto agora é impertinência e audácia. E quanto a essa história de aconselhar os pais a proibirem a leitura pelas crianças, dos jornais que atacam o governo, proíba o Sr. Archimedes aos seus filhos se os tiver, e deixe que os demais sigam a orientação que melhor lhes convier. Aos seus rebentos ensine o doutrinador calmonista a escola de subserviência em que deve ter formado o seu espírito. Deixe em paz os filhos alheios...[5]

 

 

Atuando no governo Vital Soares, Archimedes Guimarães destacava que o ponto mais importante das reformas comandadas por Anísio fora a construção dos novos edifícios escolares, assinalando os 25 prédios construídos, em menos de quatro anos, especialmente para tal finalidade, com oito e mais salas de aula. Contudo, afirmava que na capital baiana ainda eram muitos os edifícios alugados, porem adaptados aos fins escolares.

            Dentre os edifícios remodelados assinalava o do Grupo Escolar Rio Branco e o da Escola Ursula Catharina, doação do comendador Bernardo Catharino. Além disso, dizia que o mobiliário foi renovado nas escolas de Salvador e que na sua gestão pretendia tomar idêntica providência em relação as escolas do interior. Destacava que este era um trabalho possível porque a Bahia contava à época com importantes intelectuais da Educação: Alfredo Ferreira de Magalhães, diretor da Escola Normal; Anisio Spínola Teixeira; Joaquim Ignácio Tosta Filho, diretor do Ginásio da Bahia; Edgard Pitangueiras, primeiro diretor da Escola Normal de Caitité; Isaías Alves de Almeida, diretor do Ginasio Ipiranga, à época nos Estados Unidos, estudando os testes e a organização escolar.

            Quanto a manutenção dos edifícios escolares e o custeio das principais atividades, Archimedes reorganizou, em 1929, o programa que objetivava transferir recursos diretamente para os diretores das unidades escolares, com o objetivo de solucionar os problemas mais imediatos que surgissem nas escolas. Era a chamada verba “Locação escolar”. A partir da reorganização do programa, os diretores e regentes de escola passaram a requer a verba mensalmente, de acordo com uma tabela estabelecida pela Diretoria Geral de Instrução. A tabela elevou, de maneira significativa, o montante de recursos que se repassava a cada unidade escolar, de modo a satisfazer as necessidades de cada escola. As chamadas “Despesas miúdas” incluíam gastos com o pagamento de energia elétrica, máquinas de costura, toalhas, veículos, espanadores, escarradores, vassouras, capachos, flanelas, baldes, copos, moringas, talhas, torneiras, sapólio, pedra pome, sabonete, creolina, sabão massa, cera Parquetina, sacos, pequenos consertos de urgência, alfinetes, agulhas para máquina de costura, agulhas de mão, pregos, serras, goma arábica, arame, papel fino, papel crepon, cartolina, madeira, linha, tinta, papel pautado, papel para desenho, lápis, canetas, penas, mata-borrão, borrachas, presilhas, livros em branco, algodão, iodo, água oxigenada, esparadrapo, gaze e álcool.

            No ensino primário, segundo Archimedes Guimarães, a matrícula cresceu consideravelmente. O corpo docente foi estimulado com o aumento de 25 por cento nos seus vencimentos, conforme estabelecia a lei 1846. A fiscalização e inspeção escolar tornaram-se mais eficientes. O numero de inspetores passou de três para 12 em todo o Estado. Além disso, o registro dos colégios particulares tornou-se uma realidade, e a Diretoria da Instrução Pública teve o seu corpo de funcionários burocráticos aumentado.



[1] “Insisto para que V. me mande uma notícia da Semana de Educação (pela qual eu o felicito vivamente), em inglês, para eu encaminhar à National Education Association”. Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 7 de novembro de 1928. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[2] Cf. Recortes de jornal questionando o Diretor Geral de Instrução. Salvador. 1931. Arquivo do Instituto Geográfico e Histórico do Bahia. Dossiê Archimedes Guimarães. Caixa 15. Documento 02.

[3] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 7 de novembro de 1928. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[4] Cf. Recortes de jornal questionando o Diretor Geral de Instrução. Salvador. 1931. Arquivo do Instituto Geográfico e Histórico do Bahia. Dossiê Archimedes Guimarães. Caixa 15. Documento 02.

[5] Cf. Recortes de jornal questionando o Diretor Geral de Instrução. Salvador. 1931. Arquivo do Instituto Geográfico e Histórico do Bahia. Dossiê Archimedes Guimarães. Caixa 15. Documento 02.

 
 

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA - II

A esse material se somou algumas outras encomendas que Anísio Teixeira fizera nos Estados Unidos da América. Ele adquirira ali três mil carteiras e outras duas mil de fabricação brasileira, destinadas a completar o mobiliário das escolas primárias e do Ginásio da Bahia. As oficinas da Penitenciária do Estado foram mobilizadas para a produção de mobiliário escolar. Até o seu retorno definitivo ao Brasil, Anísio Teixeira continuou enviando toda a sorte de material que considerava capaz de modernizar a rede escolar baiana:

 

 

A segunda parte da sua encomenda - o material didático - seguiu ontem pelo S/S Brazil, da Booth Line. Como verá, adquiri uma multidão de pequenas coisas, todas elas em uso generalizado aqui, para servir pelo menos de modelo para as nossas escolas. Não sei se todo o material é adaptado. Mas, a minha idéia é que se faça a "réplica" baiana de todos esses aparelhos destinados a facilitar o ensino. A compra do material didático é muito trabalhosa, por isso não asseguro a escolha que fiz. Com os dias cheios que tenho, não podia estar percorrendo todas as casas para ver os mostruários; tive que me contentar com catálogos. Creio que, entretanto, a compra satisfaz os seus desejos. Aproveitei a oportunidade para adquirir alguns aparelhos ginásticos para o pátio da escola, que acredito foi aumentado com a desapropriação dos prédios da Rua S. Raimundo. Precisamos começar a ter essas coisas que suplementam uma escola. Acredito que os aparelhos se pudessem fazer aí, mas seria inútil esperar. Assim, adquiri um para servir de modelo e estímulo. Aliás, nos limites da encomenda, tinha-me que contentar com enviar amostras. Essa a filosofia de toda a compra. Desde que não temos nada, devemos começar enviando um exemplar de cada coisa para experiência. Os Srs Vellvé mantiveram, felizmente, os 10% de desconto especial para o governo do Estado. Os livros que me encomendou seguem hoje pelo Correio. Não acredito que valha a pena o livro "The Teaching of Science". Está aqui grandemente em voga um livro introdutório para todo estudo científico - "An Introduction to Thinking" - qualquer coisa assim, por um dos professores da Columbia. As Universidades daqui hoje substituíram os velhos cursos em Lógica por estudos de "How to Think". Esses estudos são, sobretudo, uma introdução filosófica à ciência contemporânea. Pelo índice, o livro é muito bom, apresentando uma sinopse de todas as grandes doutrinas e generalizações que fundamentam o conhecimento científico moderno[1].

 

 

Durante a gestão de Archimedes, mesmo estando na América do Norte, Anísio costumava tomar satisfação sobre o andamento dos trabalhos da gestão do ensino na Bahia e apresentar sugestões de nomes de pessoas[2] que deveriam ocupar funções públicas nas instituições de ensino baianas:

 

 

Mande-me dizer das nossas duas novas escolas normais de Feira e de Caetité. Da primeira estimava saber as condições de direção e se seria possível pensar em uma mudança de diretor. Tenho um amigo aqui na América, baiano, com prática e estudos em educação, por quatro anos professor em colégios americanos e que penso aceitaria a direção, tão vivamente empenhado está em trabalhar na Bahia. Mande-me, ouvindo Jaime, informações a respeito e ponham-me ao corrente do que posso oferecer aqui ao meu amigo. Isto é, porém, como V. compreende, confidencial[3].

 

 

Não obstante a sua permanente vigilância sobre o trabalho de Archimedes, Anísio reafirmava sempre a sua confiança na ação do amigo, atribuindo-lhe responsabilidades:

 

 

Já me chegaram daí as impressões sobre suas iniciativas na Diretoria Geral de Instrução. É para mim, sem falsa presunção, um grande sossego, saber que o tenho na Diretoria. V. fará mais do que eu fiz, estou certo. Eu, com sete diferentes cursos, estou lutando como posso dar conta da matéria. Quero obter facilidades para trabalhar para aí. Continuo no propósito de escrever um text-book de educação. Que me diz? E ainda organizar um plano de ensino normal. O Governador ou o Dr. Prisco lhe falaram sobre minhas cartas? Aí vai o discurso de paraninfo da formatura dos Perdões. V. veja o que é que as professoras desejam que V. faça com ele. Provavelmente V. terá de o ler. Como V. partilhará da responsabilidade, de algum modo, do que aí vai dito, desde já lhe dou autorização para as correções que julgue necessárias. Foi um esforço para fazer um pouco de idealismo. Não sucedi, porém. Em grande parte está utópico e pouco prático. Talvez, porém, outros o entendam melhor do que eu mesmo. Se não houver decidida insistência, não o publique. Acho que só deve ser publicado o que suportar o teste da publicidade. Não creio que a minha arenga, como diria Martagão Gesteira, suporte esse teste. O discurso vai pela mala do "Vandicke", que sai a 27. Deve chegar aí em meados de novembro. Escrevo-lhe outra carta pelo mesmo vapor e, no caso de extravio, V. me avise por telegrama, para ver se eu componho outra com as notas que tenho. Segue a única cópia que possuo. Não sou ainda capaz de escrever à máquina e não tenho tempo para tirar nova cópia. Mostre-a a Carmita que lhe dará as informações sobre os desejos das professoras. Carmita está no Colégio N. S. Auxiliadora, de D. Anfrísia Santiago[4].

 

 


[1] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 18 de janeiro de 1929. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[2] “Conforme ficou combinado com o Dr Prisco, apresento-lhe o acadêmico Cândido Cerqueira, que ficará trabalhando na D.G.I., percebendo a gratificação que arbitramos. Como ele não é datilógrafo, peço-lhe para dar-lhe algum trabalho aí, cedendo-me outro funcionário que seja datilógrafo para os trabalhos do programa”. Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães (sem data). In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[3] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 9 de setembro de 1927. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

[4] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 11 de outubro de 1928. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

 

 
 

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NA BAHIA

 

 

Na direção da Escola Agrícola, Archimedes buscou aperfeiçoar as condições de trabalho da instituição, reiterando as suas propostas nos sucessivos relatórios que encaminhava a Anísio Teixeira, então diretor da Instrução Pública. Segundo Nilton de Almeida Araújo[1], em relatório intitulado “Subsídios para a história da Escola Agrícola da Bahia”, Archimedes propôs um anteprojeto de Regulamento para a Escola Agrícola da Bahia, publicado no Diário Oficial do Estado, em primeiro de junho de 1927. Resultou também do trabalho de Archimedes a decisão tomada pelo governador em oito de junho de 1927, no sentido de transferir a Escola Agrícola da Bahia para os arredores da capital, adquirindo “os terrenos da fazenda Areia Preta, encomendando elaboração por profissional estrangeiro dos projetos definitivos do edifício da Escola Agrícola, com parque de experimentação e demonstração, além de uma fazenda modelo”[2]. Esta proposta de transferir a Escola para Salvador, contudo, somente foi concretizada em 1931, quando o interventor federal deliberou transferir a instituição para os edifícios da Hospedaria dos Imigrantes, em Monte Serrat.

Sob o projeto de ensino profissional comandado por Anísio e Archimedes, era necessário regularizar a situação da Escola Agrícola de ensino superior, para depois disseminar pelo Estado uma rede de escolas agrícolas de nível médio.

Como diretor do ensino primário e profissional, Archimedes Guimarães viajou a São Paulo, em 1928, para visitar a sua família. Seus pais e irmãos à época viviam em Santos. Archimedes aproveitou para fazer uma série de visitas pedagógicas a instituições do ensino público do Estado de São Paulo. Percorreu grupos escolares santistas, especialmente o “Cesário Bastos”, no qual se diplomara em 1904. Em companhia do inspetor Primo Ferreira e do professor Armando Bellegarde, diretor do estabelecimento, por duas vezes esteve na instituição. Ali conheceu e ficou entusiasmado com o método analítico aplicado ao ensino de todas as matérias e assistiu a demonstração de exercícios de ginástica. Nos demais grupos escolares e na Escola Normal Livre “José Bonifácio” colheu material a respeito dos métodos de ensino e da formação de professores. Na mesma Escola Normal Livre esteve presente em uma aula de Didática, ministrada pelo professor Nicanor Ortiz, e a uma aula de Música.

Na cidade de São Paulo, Archimedes Guimarães entrou em contacto com Amadeu Mendes, que o acompanhou em visita a diversos pontos, dentre os quais o Parque do Estado e a Diretoria de Indústria Animal. Acompanhado pelo inspetor do ensino José Ferraz de Campos esteve visitando as escolas rurais do Butantã, o Grupo Escolar “Rodrigues Alves” e o Jardim da Infância. Com Amadeu Mendes visitou as duas escolas profissionais da capital: a masculina e a feminina. Archimedes Guimarães foi recebido também pelos professores Alduino Estrada, Euzébio de Paula Marcondes, Cymbelino de Freitas e Carlos da Silveira, além do já citado José Ferraz de Campos, que lhe explicaram detalhadamente a reforma do ensino que acontecia em São Paulo.

            Além da cidade de Santos e da capital, Archimedes Guimarães visitou também as cidades de São Carlos, Araraquara, Piracicaba e Campinas, tendo elogiado os edifícios escolares que conheceu, principalmente as escolas normais de São Carlos, Piracicaba e Campinas, dirigidas, respectivamente, pelos professores Fausto Lex, Lourival de Queiroz e Geraldo Alves Corrêa. Também demonstrou entusiasmo com as instalações das escolas profissionais de São Carlos e de Campinas, bem como com os edifícios dos grupos escolares das mesmas cidades.

Archimedes Pereira Guimarães percorreu também as instalações da Escola Agrícola “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba, e o Instituto Agronômico de Campinas, elogiando os gabinetes de Eletrotécnica, Maquinas e Motores e os laboratórios de Química da Escola Politécnica.

Archimedes Guimarães era pródigo ao elogiar o trabalho de Anísio Teixeira à frente da Instrução Pública baiana. Em entrevista ao jornal Diário de São Paulo, concedida em 1928, afirmou ser possível considerar a instrução publica na Bahia em duas fases distintas: a primeira, atravessava todo o Império e se encerrava no ano de 1925; a segunda se iniciava em 1925, com a chamada Lei Góes Calmon, que consubstanciava a reforma realizada por Anísio Teixeira. O presidente da Bahia, Góes Calmon, ao obter a aprovação da lei 1846, de 14 de agosto daquele ano, credenciou Anísio Teixeira a reformar completamente o ensino no Estado. O trabalho da reforma foi iniciado efetivamente em janeiro de 1926, tendo como um dos seus méritos a estadualização do ensino. Antes da reforma, cada município tinha a sua própria lei orgânica da instrução. Anísio Teixeira atacou tal questão durante a III Conferência Nacional de Educação. A sua reforma compreendia não apenas o ensino primário, mas também o normal e o secundário.

Nos períodos durante os quais atuou como substituto de Anísio Teixeira na Diretoria de Instrução Pública baiana, Archimedes Guimarães, não obstante executar projetos próprios, sempre foi orientado pelo amigo. A primeira vez, em 1927, quando Anísio viajou para os Estados Unidos da América, essa orientação era muito visível, até mesmo em detalhes como a aquisição de material didático e mobiliário escolar para a rede pública e também para escolas privadas da Bahia:

 

 

Segue amanhã, pelo "Vilaflores", toda a encomenda escolar do Estado da Bahia, com exceção apenas dos rolos de tela de pizarra para quadros negros que não puderam ficar prontos, mas, que serão embarcados dentro de breves dias. As carteiras vão embaladas em pequenas caixas de 40 lb mais ou menos cada uma, sendo que algumas caixas contêm somente as armações de madeira e outras as peças de ferro e outras as ferragens miúdas. Julgo que apesar da aparente complexidade que pode parecer trazer essa divisão, não havia melhor modo de as acomodar, de sorte a facilitar o transporte para o interior do Estado. O número de caixas é superior a 1600. Todos os detalhes vão especificados nos papéis oficiais que lhe envio hoje, ou que envio ao governo. No intuito de facilitar a compra de algumas carteiras ao Colégio Soledade, consenti que se incluísse na encomenda oficial o pedido desse colégio. Os papéis são suficientemente claros, eu penso, para não haver nenhuma dificuldade quanto ao caso, para o qual julgo dispensável recomendar estrita reserva, sobretudo da parte do colégio, pois não hão de faltar espíritos que julguem censurável esse pequeno favor a um instituto de educação. Agora será preciso que lhe diga todo o meu interesse em que a distribuição desse material seja feita debaixo de um inteligente critério de eficiência, de sorte a não ser desperdiçada uma migalha das vantagens que poderão advir ao nosso aparelho escolar dessa importante contribuição do governo para o seu conveniente equipamento. Muito espero de V., do Jaime e de Albino e Aristides quanto a esse assunto. O critério local será sempre mais completo que o meu e VV. aí, ouvindo o Dr. Calmon, poderão fazer tudo com o maior proveito possível para as escolas[3].



[1] Cf. ARAUJO, Nilton de Almeida. A Escola Agrícola de São Bento das Lages e a institucionalização da Agronomia no Brasil (1877-1930). Dissertação de Mestrado. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2006. p. 167. 

[2] Cf. ARAUJO, Nilton de Almeida. A Escola Agrícola de São Bento das Lages e a institucionalização da Agronomia no Brasil (1877-1930). Dissertação de Mestrado. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2006. p. 169.

[3] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 29 de junho de 1927. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

 
 

A BAHIA DE ARCHIMEDES: EDUCAÇÃO, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E POLÍTICA

 

 

A Bahia foi sua terra adotiva e lhe abriu as portas. A ela se afeiçoou e a ela deu, por longo tempo, a contribuição da sua competência como professor e técnico, a partir de 1922. Archimedes chegou à capital baiana em função do acordo assinado entre o Ministério da Agricultura e a Escola Politécnica da Bahia para implantação do curso de Química Industrial. O acordo, firmado em 1920, previa a contratação de dois professores nos Estados Unidos da América ou na Europa. No entanto, os brasileiros Miguel Ferreira Dultra e José Ernesto Monteiro seriam os primeiros professores contratados com base em tal convênio, o que ocorreu em junho de 1921. Em março, de 1922 seria admitido um novo professor: Adolfo Naegeli. Archimedes Pereira Guimarães seria o quarto professor a chegar à Bahia, em face de tal convênio. No dia 13 de abril de 1922 assinou contrato com a Escola Politécnica para substituir José Ernesto Monteiro, que mudara sua residência para Pernambuco.

Archimedes estava trabalhando em Salvador, quando se mudou para Sergipe, em julho de 1923, a fim de organizar o Instituto de Química Industrial, convidado que fora pelo presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, seu antigo colega de magistério na Escola de Agronomia de Niterói. Desde o mês de fevereiro de 1925 iniciou o processo de preparação para o encerramento do governo do amigo sergipano, que ocorreria no ano seguinte. Archimedes fez tratativas com um outro amigo: o baiano Anísio Teixeira. Era sua pretensão voltar a viver em Salvador. E no mês de janeiro de 1926 recebeu de Anísio a sinalização de que o seu retorno ao trabalho na capital baiana poderia ser dado como certo:

 

 

Somente hoje respondo a sua carta de 26 de fevereiro do ano passado. E tardei justamente para, quando lhe escrevesse, assegurar, como agora o faço, a sua nomeação para o ensino deste nosso Estado. Aqui, o lugar que está ao seu dispor é a direção da Escola Agrícola de São Bento das Lages, na qual o amigo terá a regência de uma das cadeiras do curso. A Escola Agrícola de São Bento, por enquanto, é o único estabelecimento de ensino profissional que possuímos. Mais tarde, porém, ao serem criadas outras escolas profissionais, ser-lhe-á oferecida a direção de uma delas e a superintendência sobre os demais estabelecimentos congêneres. Estes cargos e os deveres que lhes são inerentes, acham-se especificados na reforma e regulamento de ensino, os quais lhe envio, pelo Correio, juntamente com esta. Quanto aos vencimentos de que me fala orçam em onze contos e tanto. Sem mais, para meu governo, peço ao prezado amigo que me responda qualquer coisa sobre o assunto, em especial se, daqui a alguns meses mais, terei a satisfação de contar com a eficácia de seu trabalho e boa vontade. Com o apreço e a estima, seu amigo Anísio Teixeira[1].

 

 

Em 20 de novembro de 1926, Archimedes foi recontratado pela Escola Politécnica da Bahia, para lecionar no curso de Química Industrial, a partir do ano seguinte. Nessa nova fase baiana, trabalhou também como professor e diretor da Escola Agrícola de São Bento das Lages e foi docente na Escola de Agronomia, dirigindo a instituição a partir de 1932. Residia com a família em Salvador, numa casa avarandada que ficava perto da Igrejinha do Monte Serrat. A partir do mês de abril de 1927, fora diretor da Instrução Pública, em substituição ao seu compadre Anísio Teixeira. Diplomado pela Escola Politécnica de São Paulo, o jovem engenheiro construiu uma carreira que o levou a alcançar destacada posição acadêmica, no mesmo ano de 1929, ao ser aprovado em concurso público na Escola Politécnica da Bahia, da qual também seria posteriormente diretor, a partir de 1939. Ajudou-o, certamente, em tal empreendimento, a experiência anteriormente obtida no exercício de funções especializadas em Sergipe e na Bahia. A sua posse como catedrático da cadeira de Química Inorgânica, Descritiva e Analítica e Noções de Química Orgânica da Escola Politécnica da Bahia aconteceu em dezembro do mesmo ano de 1929.

Ao ser empossado, diante da congregação, Archimedes Pereira Guimarães discursou demonstrando a importância da cadeira que assumia, revelando que o seu primeiro lente, José Nuno de Barros Pereira, faleceu antes de assumir o exercício das funções, em 1897. A partir de então, a cadeira fora ocupada por Giuseppe de Martina (1898-1899), José Allioni (1900-1903 e 1919-1920), Alfredo de Andrade (1904-1906), Alfeu Diniz Gonçalves (1906-1909 e 1913-1915), Octávio Mangabeira (1910-1912), Oscar Freire (1916-1918), Francisco Lopes da Silva Lima (1920), Souza Carneiro (1921 e 1928-1929), João Rodrigues da Costa Dória (1921-1926) e o antecessor de Archimedes, Hélio Daudt Fabrício (1927), que faleceu em janeiro de 1928.

Archimedes ocupou ainda os cargos de secretário da Agricultura e da Fazenda no governo de Lomanto Junior. Archimedes administrador não destoava do técnico e cientista na seriedade com que enfrentava os problemas. Sua carreira como gestor público no Estado da Bahia seria encerrada depois que presidiu o Instituto de Tecnologia baiano. Certamente, um dos maiores desafios dentre os muitos enfrentados pelo administrador público Archimedes Guimarães foi o de substituir o professor Anísio Teixeira no cargo de diretor da Instrução Pública do Estado da Bahia. Antes disso, trabalhara na equipe do próprio Anísio, exercendo as funções de diretor do ensino primário e profissional. No inicio do ano de 1927, Anísio Teixeira estava nos Estados Unidos da América e Archimedes Guimarães havia assumido a função de diretor geral da Instrução Pública.



[1] Cf. Carta de Anísio Teixeira a Archimedes Guimarães, em 2 de janeiro de 1926. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Acesso http://www.prossiga.br/anisioteixeira/, no dia 10 de junho de 2006.

 
 

O ENSINO SUPERIOR DE QUÍMICA EM SERGIPE - III

Durante os seus três primeiros anos de funcionamento, o Instituto forneceu 180 litros de oxigênio para os serviços médicos do Estado; realizou análises toxicológicas para a polícia; fez ensaios sobre o alvejamento do algodão; analisou as possibilidades de fabricação de espelhos em Sergipe; e, revelou centenas de fotografias.

Além de dirigir o Instituto de Química Industrial, Archimedes Guimarães foi professor da Faculdade de Odontologia e Farmácia de Sergipe Aníbal Freire, criada em dezembro de 1925 pelo presidente Maurício Graccho Cardoso. O regulamento da instituição foi aprovado em fevereiro de 1926 e no mês de abril foram iniciadas as aulas. A matrícula inicial nos dois cursos era de 22 alunos. Segundo o presidente de Sergipe, no discurso que proferiu durante a aula inaugural, era necessário livrar o Estado dos práticos de Farmácia e Odontologia existentes, fazendo com que todos os que exerciam essas atividades tivessem oportunidade de incorporar os saberes da Química, da Fisiologia, da Patologia Geral e da Higiene. Dirigida por Augusto Leite, a Faculdade tinha no seu corpo docente, além de Archimedes Guimarães, os seguintes profissionais: Josaphat Brandão, Oscar Nascimento, Antônio Tavares de Bragança, Ranulfo Prata, Lauro Hora, Américo de Miranda Ludolf e João Firpo Filho. A Faculdade deveria utilizar para o seu funcionamento a estrutura já existente no Instituto Parreiras Horta, no Instituto de Química Arthur Bernardes e no Hospital de Cirurgia. Porém, a instituição funcionou apenas durante o ano de 1926, encerrando suas atividades em novembro daquele mesmo ano. Igual destino teve a Faculdade de Direito que, inaugurada em 1925, também funcionou apenas durante um ano.

As aulas de Química Geral e Mineral do curso de Farmácia e de Metalurgia e Química do curso de Odontologia eram ministradas por Archimedes Pereira Guimarães no próprio Instituto de Química Industrial de Sergipe. O professor tinha como seu assistente também nessa atividade o farmacêutico Antônio Tavares de Bragança[1].



[1] Cf. Diário Oficial do Estado de Sergipe. Ano VII, n. 1808, Aracaju, domingo, 28 de fevereiro de 1926. p. 1.

 
 

O ENSINO SUPERIOR DE QUÍMICA EM SERGIPE - II

É necessário observar este período de modo mais amplo e verificar que a década de 20 dos anos novecentos, em Sergipe, representou um momento importante para a difusão dos conhecimentos da Química, principalmente quando se considera que sucessivos governos investiram na criação de laboratórios destinados ao ensino dessa ciência, como o presidente Manoel Dantas, que exerceu a chefia do Poder Executivo sergipano entre os anos de 1927 e 1930. O ensino das Noções Gerais de Química estava presente no currículo das escolas secundárias de Sergipe desde o século XIX. No Liceu Sergipense, instalado em outubro de 1862, essa disciplina científica ocupava posição curricular destacada. 

O processo de difusão das ciências que ocorreu no Brasil a partir das últimas décadas do século XIX e das primeiras décadas do século XX fez com que se expandisse não apenas a quantidade de escolas superiores, mas também redes de instituições científicas. A rede de escolas e de instituições de pesquisa aprofundou o conhecimento científico a respeito dos saberes com os quais operavam à medida que os químicos se empenhavam para constituir um discurso que, exacerbando o caráter científico e autônomo de sua atividade, lhes garantisse reconhecimento social e legitimidade intelectual. Na condição de escolas e institutos de tecnologia e de pesquisa científica essas instituições terminaram por oferecer aos próprios químicos as condições que o projeto de cientifização da sua atividade requeria. O estudo da História da pesquisa e do ensino de Química possibilita perceber um dos modos usado pelos profissionais com formação superior para a gestão científica do seu campo.

A partir de 1924 a equipe do professor Archimedes Guimarães começou a formar profissionais em análises químicas. Como o curso oferecido pela Escola Politécnica da Bahia, onde ele fora professor, o currículo concebido em Sergipe tinha a duração de três anos.

Para admissão ao curso eram realizados exames preparatórios de Português, Francês, Geografia, Aritmética e Álgebra, Noções de Geometria e Desenho Geométrico Elementar, História do Brasil e Noções de História Universal. As aulas eram iniciadas no dia 15 de fevereiro e encerradas no dia 30 de outubro. O curso mantinha dois períodos de férias: o primeiro de quinze dias, no mês de junho, e um outro de noventa dias, que se iniciava no dia 15 de novembro, posto que a primeira quinzena deste mês, após o encerramento das aulas em outubro, era destinada a realização dos exames finais. As aulas teóricas do primeiro ano eram ministradas pelo próprio Archimedes Guimarães.

A idéia exposta por Archimedes era a de que ao final do curso o aluno estivesse dotado de uma formação geral que possibilitasse a sua escolha por uma das especialidades do campo da Química. Segundo ele, o currículo implantado em Sergipe procurava corrigir o que chamou de “erro dos atuais cursos federais”[1]. Por isto, propôs que, além das quatro disciplinas que então eram oferecidas em todos os cursos existentes (Química Inorgânica, Química Analítica, Química Orgânica e Química Industrial), fossem incluídas na programação de estudos a Física Experimental, as Noções de Geologia, a Mineralogia, a Biologia, a Químico-Física, a Eletroquímica, a Química Coloidal, a Bioquímica e a Química Fisiológica.

Em Sergipe, depois de funcionar durante dois anos, o curso começou a apresentar problemas e em 1926 foi fechado por falta de alunos. Todavia a estrutura montada naquele momento foi fundamental para a instalação da Escola de Química de Sergipe, no ano de 1948. Archimedes indicava algumas dificuldades para a manutenção do curso de Química:

 

 

Já por precisão de uma base de humanidades suficiente, para a compreensão desses estudos, já por falta de boas disposições vocacionais em alguns matriculados, tornou-se possível até agora, apenas, a promoção de uma aluna para o segundo ano da Escola. (...) não tendo, por conseguinte, funcionado a Escola de Química no corrente ano, mesmo porque não houve concorrente algum às aulas da primeira série, apesar da propaganda feita nesse sentido e da extrema simplicidade dos programas de admissão[2].

 

 

As dificuldades para o ensino de Química no período eram não apenas do Estado de Sergipe. Em todo o país, era muito reduzido o prestígio social do ensino superior de Química e a carreira não era vista como uma área profissional que conferisse reconhecimento, capaz de colocar em posição destacada aqueles que a ela aderiam. Instalada em 1897, a Escola Politécnica da Bahia, por exemplo, somente ofereceria o ensino superior de Química em 1921, um ano antes de Maurício Graccho Cardoso, presidente de Sergipe, iniciar o ensino superior de Química no Estado. Chama a atenção o fato de o Instituto de Química Industrial de Sergipe ser implantado pelo governante estadual, enquanto o curso de Química Industrial da Escola Politécnica baiana funcionou por iniciativa do ministro da agricultura, Ildefonso Simões Lopes, que em 1920 destinou recursos para a criação do curso e firmou convênio com a Escola da Bahia para a sua implantação. Até 1921, a Escola Politécnica da Bahia oferecia os cursos destinados a formar engenheiros geógrafos, engenheiros civis e bacharéis em ciências físicas e matemáticas.

O encerramento do mandato de Maurício Graccho Cardoso e a posse de Cyro Franklin de Azevedo no Governo do Estado de Sergipe foram determinantes para a extinção do ensino superior de Química em Sergipe, no ano de 1927, enquanto na Bahia a extinção ocorreu cinco anos depois, em 1932, em face de um decreto presidencial do final do ano de 1930, que suspendeu as subvenções do Ministério da Agricultura para a Escola Politécnica baiana.

Quando Archimedes afastou-se do Instituto, em 1926, era significativo o acervo de contribuições deixadas por ele para o desenvolvimento do Estado de Sergipe. Nos três anos durante os quais atuou, ele coordenou pessoalmente os processos de análise da água das cidades de Laranjeiras, Rosário do Catete, Aracaju, Pedrinhas, Japaratuba, Maroim, Salgado, todas em Sergipe, e da água da cidade de Salvador, no Estado da Bahia, esta por solicitação do engenheiro Saturnino de Brito. Em Sergipe, a análise buscou, principalmente, identificar as principais fontes de água mineral existentes no Estado, por solicitação do médico Paulo Figueiredo Parreiras Horta. Archimedes também esteve debruçado sobre a análise de amostras de sal, vinagre, talco, cal, minério de ferro, cloreto de potássio e taninos da banana e do genipapo.



[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Introdução a um curso de Química Industrial e aula inaugural do Instituto de Química de Aracaju. Bahia, 1929. p. 49.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Introdução a um curso de Química Industrial e aula inaugural do Instituto de Química de Aracaju. Bahia, 1929. p. 57.

 
 

O ENSINO SUPERIOR DE QUÍMICA EM SERGIPE

 

 

Maurício Graccho Cardoso governou Sergipe no período de 1923 a 1926. O Instituto de Química Industrial de Sergipe, atualmente Instituto de Tecnologia e Pesquisas, foi fundado por ele em julho de 1923, logo após a criação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo, e do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, no Rio de Janeiro. Em certa medida, fora surpreendente o anúncio da criação do Instituto de Química Industrial de Sergipe, uma vez que naquele momento o Governo Federal havia acabado de anunciar que suprimiria a subvenção concedida às nove escolas de Química que foram criadas por lei em 1919.

O Instituto de Química industrial de Sergipe buscava contribuir para com o aperfeiçoamento da indústria do açúcar – principal fonte da riqueza no Estado nas primeiras décadas do século XX. A crença era de que o aumento da produção estava diretamente relacionado ao conhecimento da composição do solo, à melhoria do cultivo da planta e ao controle químico da produção em laboratório. No ano de 1923, eram muitas as evidências reveladoras de que a indústria açucareira do Brasil vinha perdendo espaço para os produtores de Cuba e do Havaí. A maior parte dos engenhos em funcionamento necessitava de modernização. Em Sergipe tal necessidade era vista como grave problema econômico.

O Instituto de Química Industrial oferecia um curso de três anos de nível superior destinado a preparação de técnicos para a indústria açucareira, a exploração do sal, a preparação do couro e o aproveitamento das plantas oleaginosas.

Quando o presidente do Estado de Sergipe, Maurício Graccho Cardoso, criou o Instituto de Química Industrial já estava consolidada a consciência de que a Química, ao lado da Biologia, da Física e da Matemática, constituía o campo disciplinar legitimador dos paradigmas e dos conceitos de outros campos da ciência, como a Medicina. Esta função, a Química adquirira ao mesmo tempo em que se legitimara, durante a segunda metade do século XIX, como ferramenta fundamental ao desenvolvimento da indústria. Por isto, se considerava importante formar “químicos analistas capazes de orientar (...) os laboratórios e as indústrias”[1]. Assim é que o Instituto, ao ser implantado tinha dois grandes objetivos definidos: a manutenção de laboratórios para análises dos problemas químicos ligados aos produtos agrícolas e industriais; e, a formação de químicos analistas. O decreto do presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, que criou a nova instituição afirmava que “a química é uma ciência que se prende a todos os ramos do saber universal, e como tal, dela dependem as indústrias de maior relevância para o homem”.

Quando da instalação do Instituto, o presidente Graccho Cardoso convidou o professor Archimedes Pereira Guimarães para implantá-lo, na condição de primeiro diretor. Ele era, então, Professor de Química Orgânica e Instrumental do Curso de Química Industrial da Escola Politécnica da Bahia e também professor da Faculdade de Medicina e Farmácia de Salvador. Archimedes Guimarães chegou apresentando, como seu auxiliar, Antônio Tavares de Bragança, sergipano, farmacêutico químico formado no mesmo ano de 1923, que fora seu aluno na Faculdade de Medicina e Farmácia baiana. Depois que Archimedes regressou para a Bahia, em 1926, foi Antônio Tavares de Bragança que o substituiu e deu continuidade ao seu trabalho.

Em Sergipe, Archimedes defendeu que o novo Instituto de Química Industrial deveria

 

 

exercer a missão superior e delicada que lhe seria destinada, e não deveria preocupar-se com todos os problemas agrícolas e industriais que poderiam vir a ser uma fonte de riqueza para o Estado, mas tão somente em incentivar a produção daquelas matérias primas já em exploração e comércio, melhorando-as quer no estado bruto, quer como produtos acabados, de acordo com os modernos ensinamentos científicos[2].

 

 

De acordo com o seu entendimento, o Instituto deveria priorizar a análise de produtos agrícolas e industriais que fossem já objeto de comércio, além da formação de novos profissionais dedicados à análise de produtos químicos. No que dizia respeito a indústria açucareira, Archimedes Guimarães defendia a necessidade de selecionar sementes para o plantio da cana.

A instituição foi instalada inicialmente em um edifício situado à rua Duque de Caxias, na cidade de Aracaju. O equipamento, o mobiliário e os insumos foram adquiridos em São Paulo, no Rio de Janeiro e importados da Europa e dos Estados Unidos da América.

O projeto implementado pelo professor Archimedes no Instituto de Química Industrial levou a instituição a desenvolver dois tipos de atividades laboratoriais: o primeiro manteve um laboratório completo para análises da cana-de-açúcar e do açúcar manufaturado em todas as suas fases de fabricação: um outro laboratório tinha em vista as “análises dos óleos vegetais e pesquisas sobre sua extração e exploração mais vantajosas, especialmente sobre o aproveitamento industrial dos cocos nuciferas, para análise de terras, adubos, inseticidas etc”[3]. O laboratório para o açúcar foi concebido para manter relações estreitas com uma estação experimental de cana, nos mesmos moldes da existente em Campos, no Rio de Janeiro. Dentre os sonhos do professor Archimedes estava o propósito de conseguir, através da melhoria do cultivo da cana, a obtenção do álcool industrial como substituto da gasolina.

O professor Archimedes levou o Instituto a estudar também o tanino do mangue, abundante em toda a orla marítima e fluvial de Sergipe, de modo a aplicá-lo nos curtumes e tinturarias, sobre as féculas e a panificação, de modo a obter um tipo de pão misto de trigo e mandioca. Em torno da pesquisa do tanino havia também a expectativa da sua aplicação em materiais cerâmicos, bebidas e uma grande variedade de gêneros alimentícios.

 

 

O sal, os couros, as fibras, os laticínios, as águas, o álcool, os oleaginosos, preocuparão por sua vez, paulatinamente, a nossa atenção e, fontes que o são ou que o serão da riqueza do Estado, hão de constituir objeto de estudos particulares do nosso Instituto, que tendam a melhorar-lhes as condições de extração e refino, para mais pronta aceitação nos mercados consumidores. A fiscalização dos produtos comestíveis e bebidas, moldada pela que ora se executa no Rio de Janeiro e em São Paulo, é uma das flagrantes necessidades de uma capital que se preza, e, por isso, dessa providência cogitamos, antevendo para Aracaju senão para todo Sergipe, uma diminuição sensível nas moléstias do aparelho digestivo[4].



[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães. Aracaju, 1923.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães. Aracaju, 1923.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Exposição de motivos apresentada ao presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso, em 27 de junho de 1923, pelo diretor do Instituto de Química Industrial de Sergipe, Archimedes Pereira Guimarães. Aracaju, 1923.

[4] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Introdução a um curso de Química Industrial e aula inaugural do Instituto de Química de Aracaju. Bahia, 1929. p. 48.

 
 

O ENGENHEIRO VÊ O MUNDO - XI

O numeroso Ruy[1] é um estudo biográfico publicado em 1980. Em 1981, escreveu Um mineiro ferroviário e historiador: Mário Leite[2]. Em 1982, o livro Dois sertanistas baianos do século XX[3] foi uma homenagem aos irmãos Anísio e Oscar Spínola Teixeira, ambos amigos íntimos de Archimedes. Cartas de um professor de Tupi: Plínio Marques da Silva Ayrosa[4] é um outro estudo biográfico publicado no mesmo ano. Orações de um octogenário[5], de 1983, é uma coletâneas de discursos e conferências que pronunciou entre os anos de 1973 e 1975. No livro, ele reuniu nove textos, tratando de temas como a cerâmica na Bahia, uma biografia de Alberto Santos Dumont, dois trabalhos sobre a Associação Cultural Brasil-Estados Unidos, um sobre a Espanha, um sobre o Estado de São Paulo, dois a respeito do meio ambiente e um outro sobre os ideais do Rotary Clube. A venda do livro foi destinada a angariar recursos para a construção de um Pavilhão Rotary na Fazenda do Rosário, onde a Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais mantém uma instituição educacional destinada a crianças portadoras de necessidades educativas especiais. Os estudos de Archimedes Guimarães sobre Alberto Santos Dumont procuraram destacar a trajetória do inventor brasileiro, desde o período em que este fora estudante na cidade de Campinas até o seu trabalho em Paris, passando pelos momentos nos quais Santos Dumont estivera freqüentando, como ouvinte, em 1893, a Universidade de Brighton, e, em 1894 e 1895, a Universidade de Bristol, na Inglaterra. Em 1984, publicou o seu último trabalho, ao transformar em livro o relato da sua gestão, durante 13 anos, no Instituto Mineiro de Cultura Hispânica: Relatório do presidente Archimedes Pereira Guimarães: 29.09.1971-31.03.1984[6].



[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. O numeroso Ruy. Belo Horizonte: s/ed, 1980.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Um mineiro ferroviário e historiador: Mário Leite. Belo Horizonte: s/ed, 1981.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Dois sertanistas baianos do século XX. Salvador: Centro de Estudos Baianos, 1982.

[4] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Cartas de um professor de Tupi: Plínio Marques da Silva Ayrosa. Belo Horizonte: s/ed, 1982.

[5] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Orações de um octogenário: 1973 a 1975. 1º volume. Belo Horizonte: s/ed, 1983.

[6] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Relatório do presidente Archimedes Pereira Guimarães: 29.09.1971-31.03.1984. Belo Horizonte: Instituto Mineiro de Cultura Hispânica, 1984.

 
 

O ENGENHEIRO VÊ O MUNDO - X

A aula inaugural do ano de 1961 da Escola Politécnica foi ministrada por Archimedes Guimarães, que abordou o tema A indagação da verdade[1]. Em 1964, na revista Engenharia, ele publicou o artigo “Um problema crucial para a humanidade”[2]. Fragmentos de História da Química[3], Três viagens aos Estados Unidos[4] e O império lusitano[5] são trabalhos publicados em 1966. Dois anos depois, em 1968, foi publicado o estudo Singularidades da civilização norte-americana[6].

Em 1970 Archimedes Pereira Guimarães voltaria a publicar estudos biográficos, com o artigo “Vida e obra de Teodoro Sampaio”[7], veiculado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. A Politécnica seria objeto de um outro estudo, publicado em 1972: Escola Politécnica da Bahia (1896-1947). A pesquisa que possibilitou a produção desse trabalho teve início em novembro de 1945, quando o professor Archimedes foi escolhido pela Congregação para redigir uma memória histórica que celebrasse o cinqüentenário da instituição. No mesmo ano de 1972, por ocasião do transcurso do sesquicentenário do grito do Ipiranga, Archimedes publicou um estudo histórico sobre Minas Gerais e o processo de independência do Brasil: E agora, padre Belchior?[8] Para celebrar a mesma efeméride, ele escreveu, em parceria com Lúcio José dos Santos, a História de Minas Gerais: resumo didático[9]. É de 1976 O conceito de hispanidad[10]. No mesmo ano, o autor produziu Considerações sobre a Química e sua evolução[11], um estudo sobre a História desse campo científico.



[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. A indagação da verdade. Salvador: Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, 1961.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Um problema crucial para a humanidade”. In: Engenharia. São Paulo, n. 256, 1964.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Fragmentos de História da Química. Belo Horizonte: s/ed, 1966.

[4] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Três viagens aos Estados Unidos. Belo Horizonte: s/ed, 1966.

[5] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. O império lusitano. Belo Horizonte: s/ed, 1966.

[6] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Singularidades da civilização norte-americana. Belo Horizonte: UFMG, 1968.

[7] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Vida e obra de Teodoro Sampaio”. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Vol. XLIX, 1970.

[8] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. E agora, padre Belchior? Belo Horizonte: s/ed, 1972.

[9] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira e SANTOS, Lúcio José dos. História de Minas Gerais: resumo didático. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1972.

[10] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. O conceito de hispanidad. Belo Horizonte: s/ed, 1976.

[11] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Considerações sobre a Química e sua evolução. Belo Horizonte: Associação Brasileira de Química. Seção Regional de Minas Gerais, 1976.

 

 
 

O ENGENHEIRO VÊ O MUNDO - IX

O Jornal do Comércio publicou em 1952 o artigo “John Casper Branner e o estudante brasileiro”[1], assinado por Archimedes Pereira Guimarães. O Instituto de Tecnologia da Bahia publicou, em 1953, a monografia Problemas de base do Estado da Bahia[2]. É de 1954 a publicação do livro Esplendor e agonia do Instituto Baiano de Agricultura: 1859-1902[3]. Um ano depois, também publicado pelo Centro de Estudos Baianos, Archimedes colocou em circulação o livro Primórdios do ensino de Química na Bahia[4]. O Instituto de Tecnologia da Bahia: História, finalidades, recursos e realizações[5] é o título da obra em nove volumes, publicada por Archimedes Pereira Guimarães entre 1955 e 1961. No ano de 1957, ele publicou o estudo A Escola Politécnica da Bahia sob a administração do Estado de 1940 a 1944[6]. Nesse mesmo ano, o professor Archimedes também publicou o livro O ensino secundário: notas de leitura[7], uma coletânea de artigos sobre o tema. Dois anos depois, em 1959, o autor voltaria aos temas biográficos o trabalho “Saudação ao professor Miguel Ferreira Dultra”[8]. No mesmo ano foi colocado em circulação o artigo “25 anos de atividades de Rotary na cidade do Salvador”[9].


[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “John Casper Branner e o estudante brasileiro”. In: Jornal do Comércio. Rio de Janeiro, 12 e 13 de abril de 1952.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Problemas de base do Estado da Bahia. Salvador: Instituto de Tecnologia da Bahia, 1953.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Esplendor e agonia do Instituto Baiano de Agricultura: 1859-1902. Salvador: Centro de Estudos Baianos, 1954.

[4] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Primórdios do ensino de Química na Bahia. Salvador: Centro de Estudos Baianos, 1955.

[5] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. O Instituto de Tecnologia da Bahia: História, finalidades, recursos e realizações. 9 vols. Salvador: Instituto de Tecnologia da Bahia, 1955.

[6] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. A Escola Politécnica da Bahia sob a administração do Estado de 1940 a 1944. Salvador: Fundação Gonçalo Moniz, 1957.

[7] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. O ensino secundário: notas de leitura. Salvador: s/ed, 1957.

[8] Esta pesquisa não conseguiu identificar o periódico no qual foi publicado o trabalho aqui referenciado. As únicas informações existentes acerca deste texto foram registradas pelo seu autor no livro Escola Politécnica da Bahia (1896-1947). Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Escola Politécnica da Bahia. Salvador: Escola Politécnica da Bahia, 1972. p. 385.

[9] Em relação a este artigo, a pesquisa verificou o mesmo problema registrado na nota anterior. As informações a respeito dele foram buscadas na mesma fonte. Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Escola Politécnica da Bahia (1896-1947). Salvador: Escola Politécnica da Bahia, 1972. p. 385.

 
 

O ENGENHEIRO VÊ O MUNDO - VIII

Uma outra aula inaugural ministrada por Archimedes, a sua “Oração de paraninfo”[1] seria publicada em 1940, também pelo Boletim do Instituto de Engenharia de São Paulo. “Castro Alves”[2] é o título de um estudo biográfico publicado na revista Rotary Bahiano, em 1947. Dois anos depois, em 1949, um novo trabalho biográfico foi publicado, desta feita na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo: “Antonio José Pereira”[3].


[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Oração de paraninfo”. In: Boletim do Instituto de Engenharia de São Paulo. 1940, n. 153.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Castro Alves”. In: Rotary Bahiano. Salvador, 1947.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Antonio José Pereira”. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Vol. XLIX, 1949.

 
 

O ENGENHEIRO VÊ O MUNDO - VII

O livro Palestras e conferências começou a circular em 1933[1]. Editado pela Typographia do Commercio, em Salvador, o livro dedicado ao professor Tarquínio da Silva, reuniu cinco trabalhos produzidos por Archimedes Guimarães: “O elogio de Dom Pedro II”, “Um problema descurado: o culto ao civismo no lar e na escola”, “Edificadores da pátria”, “As associações de estudantes e sua influência na formação da consciência cívica” e “O quarto centenário da fundação de São Vicente”. “O elogio de Pedro II” foi o resultado de uma conferência preparada por Archimedes Pereira Guimarães e proferida no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em Aracaju, no dia dois de dezembro de 1925, por solicitação do Almirante Amintas Jorge, então presidente do Instituto sergipano. A imagem que Archimedes produziu sobre o segundo imperador brasileiro, o apanha a partir da infância, desde o seu nascimento no dia dois de dezembro de 1825. Analisa sua vida de órfão de mãe que foi, com menos de um ano de idade, e órfão de pai a partir dos nove anos, estando deste separado desde o seu quinto ano de vida. Assim, ficaria o herdeiro do trono brasileiro entregue aos cuidados de José Bonifácio de Andrada e Silva, inicialmente, e logo após com as responsabilidades pela sua educação entregues ao Marquês de Itanhaem e ao bispo de Crisópolis. Ainda com 18 anos de idade Pedro II celebrou seu casamento com Tereza Cristina Maria de Bourbon, napolitana, irmão do rei Dom Fernando, das duas Sicílias. Do mesmo modo, perdeu os dois filhos homens que faleceram na infância, ficando as duas mulheres: Isabel, a condessa d’Eu e Leopoldina, a duquesa de Saxe. O quadro pintado por Archimedes revela um Pedro II evolucionista e ao mesmo tempo possuidor de um sentimento religioso que dizia ser inato ao homem e despertado pela contemplação da natureza. Para isto, o autor buscou apoio em Joaquim Nabuco:

 

 

Pelo que se pode depreender, o Imperador era, quanto a religião, um espírito emancipado, que organizava a sua própria; era, conciliando quantum satis os dogmas com as hipóteses científicas, católico limitado, como era darwinista limitado, e, em matéria de religião positiva, de instituições eclesiásticas, um espírito independente, indiferente, posto que convencionalmente deferente, interiormente desprendido, alheio a toda a ordem de preocupações que a sujeição religiosa sugere. (...) Como ente religioso, ele dependerá só e diretamente de Deus; a religião era uma questão, para ele, toda pessoal, subjetiva, entre sua consciência moral e Deus, o Criador, cuja obra ele admirava profundamente como naturalista e astrônomo[2].

 

 

Archimedes divergiu da maior parte dos críticos de Dom Pedro II, a partir daqueles que discordavam do modo de vestir adotado pelo governante do Império até os que eram mordazes em relação aos atos de governo. Para ele, se equivocavam os que viam no imperador brasileiro um homem deselegante, que criticavam a sua toalete, as suas casacas, os seus chapéus altos, as suas calças e coletes pretos. Da mesma maneira, não admitia que se diminuísse o mérito da inteligência de sua majestade em relação ao seu pendor pelas coisas espirituais. O Dom Pedro II visto por Archimedes era cortês, para com todos, dadivoso com os pobres, bom chefe de família, um homem de qualidades. Ressaltava no segundo imperador o fato deste jamais ter usado do veto constitucional, nunca haver embaraçado uma reforma, sob nenhuma hipótese consentiu num exílio ou numa execução capital. Praticou o mecenato, auxiliando intelectuais como Pedro Américo, Vitor Meireles, Carlos Gomes, Gonçalves Dias, Almeida Junior, Varnhagem, Porto Alegre, André Rebouças, Taunai e Benjamin Constant. Além disso, era muito bom o relacionamento que o monarca brasileiro mantinha com estrangeiros como Jules Simon, Agassiz, Alexandre Dumas, Camilo Castelo Branco, Charles Darwin, Louis Pasteur, Victor Hugo, Bartolomeu Mitre, Alexandre Herculano e Jules Ferry.

O estudo biográfico sobre “Antônio Carlos Gomes” foi publicado em 1936, pela Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia[3]. Um ano depois, o Boletim do Instituto de Engenharia de São Paulo publicou a sua “Aula inaugural”[4], ministrada na Escola Politécnica da Bahia. A Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia foi o periódico no qual circulou, no mesmo ano, o artigo “Pedro de Toledo, Miguel Calmon, Homem de Melo, Alberto Torres, Teodoro Sampaio”[5]. “José Bonifácio, o patriarca”[6], é o título do estudo biográfico publicado por Archimedes Guimarães em 1938 na Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.


[1] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Palestras e conferências. Salvador: Tipographia do Commercio, 1933.

[2] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. Palestras e conferências. Salvador: Typographia do Commercio, 1933. p. 7.

[3] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Antônio Carlos Gomes”. In: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Salvador, 1936.

[4] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Aula inaugural”. In: Boletim do Instituto de Engenharia de São Paulo. 1937, n. 129.

[5] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “Pedro de Toledo, Miguel Calmon, Homem de Melo, Alberto Torres, Teodoro Sampaio”. In: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Salvador, IGHBA, nº 63 (Separata), 1937.

[6] Cf. GUIMARÃES, Archimedes Pereira. “José Bonifácio, o patriarca”. In: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Salvador, 1938.

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